Festival Y#13 – festival de artes performativas | programa disponível em breve

3 11 2017

CARTAZ

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Festival Y#12 – festival de artes performativas

6 11 2015

Cartaz Y12Iniciamos a 12ª edição do Festival Y com um olhar sobre o impacto que o seu aparecimento teve sobre a região. O país mudou, as incertezas são muitas, mas continuamos firmes a acreditar que é o conhecimento, através das ferramentas que as várias culturas nos dão, que serão o leitmotiv para a transformação do país. A humanidade tem evoluído através dos conteúdos que milhares de criadores das mais diversas disciplinas artísticas têm disponibilizado e que hoje reconhecidamente são aplicadas a áreas diferenciadas. Por isso e apesar de todas as dificuldades que o tecido cultural sofre, acreditamos que o caminho percorrido através da transversalidade dos conteúdos que mapeamos ao longo dos anos, nas mais diversas disciplinas e cruzamentos, contribuíram para que a cidade e a região ficassem mais perto dos centros de criação do país e da Europa. Nessa perspetiva o programa traduz as nossas inquietações, resultantes das fragilidades dos tempos que percorremos. Mas é a urgência da vivência coletiva destes tempos que queremos partilhar com o público.

Rui Sena, diretor artístico

Programa Festival Y#12 – festival de artes performativas:

12.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
David Marques > “KIN”

david marques_kin

Ao filmar o documentário L’Inde Fantôme (1968), Louis Malle constatou que, intrigada pela presença estrangeira da equipa de filmagem, a população indígena, que ele filmava, olhava diretamente para a câmara. Malle partia do desejo de decifrar as formas de parentesco primitivo (kinship), para descobrir a necessidade de refletir sobre o seu próprio cinema. Neste solo, a dança funcionará como mais do que uma ferramenta antropológica clássica para entender o “nativo”. Aqui é a linguagem do “estrangeiro” que o torna “nativo”. Kin investiga o ato de documentar o outro, e a dança dos estrangeiros e dos nativos que rodeiam a câmara. O solo será uma experiência mediada pelos desejos cruzados que um corpo, e não uma câmara, pode fazer aparecer como um só. Kin nega o objeto fechado em frente da câmara, e em vez disso dança o que insiste em ser reaberto.

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14.novembro.2015 [sábado] > 15h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro de Ferro > “O Soldadinho”

teatro de ferro_o soldadinho

O espetáculo consiste na adaptação para Teatro de Marionetas, Objetos e Formas Animadas do conto de Hans Christian Andersen, transformando assim os soldadinhos de chumbo e outros brinquedos do passado nos atuais heróis do futuro. É uma tentativa de atualização da forma, sem danificar a essência do conto, do amor impossível entre o soldado e a bailarina, desta espécie de Romeu e Julieta em brinquedo.

Os contos de fadas carregam consigo uma enorme diversidade de signos inconscientes; não esquecendo este importante aspeto, não será sob este prisma que abordaremos o conto, mas sob o ponto de vista da teatralidade das situações, das emoções, das personagens.

Retomando a estrutura do conto de Hans Christian Andersen, O SOLDADINHO fala-nos de um amor a sério entre um soldado e uma bailarina de brincar. A manipulação de objetos, as pequenas máquinas de cena e outras engenhocas articulam-se no dispositivo cénico – pequena máquina de contar histórias – em que os atores são simultaneamente maquinistas e passageiros.

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14.novembro.2015 [sábado] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
Django Tributo sexteto de hot jazz

django tributo

Criado na Associação Cultural do Imaginário para celebrar o centenário do nascimento de Django Reinhardt no Festival Jazz na Cidade, em Évora, 2010, o Django Tributo – Sexteto de Hot Jazz pratica de forma arrojada, aberta e imaginativa um repertório do que hoje se chama jazz manouche ou gypsy jazz, com recurso à improvisação e virtuosismo instrumental característico desta expressão musical. Uma voz feminina, à semelhança das que o próprio Django Reinhardt tantas vezes acompanhou, interpreta grande parte do repertório, em particular, versões no original em francês de canções compostas sobre algumas das suas mais célebres composições, como Nuages e Douce Ambiance.

Como acontecia nas diferentes formações do Quintette du Hot Club de France, este repertório inclui temas oriundos do jazz que na época se tocava nos Estados Unidos, originais de Django Reinhardt e muitas chansonettes que nos anos pré e pós II Guerra Mundial saltaram dos cabarets da noite parisiense para as ondas hertzianas da rádio e para as 78 rotações do vynil. Hoje alargado a temas tradicionais do leste europeu e Balcãs, este repertório é pretexto para a expressividade típica de um jazz acústico muito centrado nas cordas, um jazz sans tambours ni trompete, como Stéphane Grapelli gostava de lhe chamar.

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17.novembro.2015 [3ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro do Calafrio > “Empresta-me o revólver até amanhã”

calafrio_empresta-me um revolver ate amanha

“Empresta-me um revólver até amanhã” parte da uma leitura peculiar de duas pequenas peças de Anton Tchekhov: “O Canto” do Cisne e “Trágico à força”. Nesta revisitação, o ponto Nikita ocupa o centro da trama. Ele vive no teatro, vive do teatro. O teatro é ele. Conhece muitas peças de cor e é o guardião da memória do teatro. É no seu teatro, nos bastidores, que se encontra com o actor Vassili Vassilitch (que se deixou dormir após a actuação da noite) e se confronta com as recordações e angústias de um velho actor de passado glorioso. Na segunda parte, o veraneante Ivan Ivanovich, sobrecarregado de tarefas, procura um amigo para desabafar sobre sua deplorável condição de vítima. Ivanovitch é escravo de um trabalho extenuante porque todos lhe pedem que transporte os mais estranhos objectos. Ivan Ivanovitch fala da sua amarga condição. Nikita, o ponto, representa o papel de Muraskhin, num crescendo de tragédia. Talvez o ponto seja ainda mais trágico do que a personagem Ivanovitch. Talvez este seja uma personagem criada por Nikita, o ponto. Talvez o ponto seja um verdadeiro trágico. Talvez Nikita tenha sempre desejado ser um actor. Trágico.

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19.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Tania Arias > “danza más cabra (The Horn of Plenty Dress Fall/Winter 2015)”

tania arias_danza mas cabra

danza más cabra  surge a partir de uns cornos e em estreita relação com o mundo da moda, especialmente com a figura de Alexander McQueen. O anti-discurso como motor para seguir em movimento. O acessório e o que é acessório tomam o protagonismo. As diferentes linguagens do movimento são tratadas como um acessório ou um complemento adicional. Em cada apresentação Tania Arias convida um colaborador próximo para que remate consigo este traje que é a obra.

No Citemor 2015 The Horn of Plenty Dress – Summer 2015 fez a primeira entrega de danza más cabra, com Sindo Puche.

No Festival Y#12, na Covilhã, Mauricio González e Santiago Rapallo acompanham esta nova entrega, The Horn of Plenty Dress – Fall/Winter 2015.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 15h | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Casa da Esquina > “O meu país é o que o mar não quer”

casa da esquina_o meu pais

Este espetáculo de teatro documental nasceu da estadia de Ricardo Correia em Londres, em 2013, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e é construído a partir do seu relato pessoal incidindo nos testemunhos de emigrantes portugueses qualificados recolhidos através de entrevistas, cartas, fotos e e-mails. Estes testemunhos são de pessoas que conheceu em Londres e que tiveram de sair de Portugal devido às medidas de austeridade da TROIKA e do Governo Português, ou que deixaram o País por vontade própria mas que agora não conseguem regressar por falta de perspectivas de futuro no país de origem.

É a sua estória, a história de uma geração dividida entre partir e ficar.

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24.novembro.2015 [3ª feira] > 22h | Covilhã > Café-teatro Teatro das Beiras
TGB Trio, com Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão

tgb trio

Os TGB apresentam Evil Things, o segundo álbum editado pela Clean Feed. A troupe da tuba, guitarra e bateria confirma-se como uma proposta a ter seriamente em conta no espectro geral da música criativa, ao lado dos News For Lulu de John Zorn ou do Tiny Bell Trio.

O formato instrumental é invulgar, mas ainda mais o que os elementos constituintes (Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão) dos TGB fazem com ele. Quando estamos na presença de uma tuba e não existe um contrabaixo à vista, presumimos que as suas funções são substitutivas deste. Errado: executante de renome internacional com actividade partilhada entre a música erudita (clássica e contemporânea) e o jazz, Carolino utiliza a sua ferramenta de trabalho tanto ritmicamente como para construir melodias enquanto solista. Este vai e vem nos parâmetros musicais do trio redifine também os papéis dos seus companheiros. A guitarra de Delgado ora estabelece malhas de suporte, ora coloca-se à frente, de algum modo evidenciando a formação deste veterano músico da cena nacional com John Abercrombie e Bill Frisell e o seu gosto por guitarristas que fizeram largo uso da distorção e do “feedback” como Jimi Hendrix e Jimmy Page (Led Zeppelin). Na bateria, Frazão é muito mais do que um marcador de tempos e métricas, ou não tivesse estudado com o mestre Max Roach, o mais melódico dos percussionistas da história do jazz. A nível de abordagens e de escolha de repertório este projecto revela-se único: com composições dos próprios ou pedidas emprestadas ao “songbook” jazzístico, à música popular portuguesa e ao rock, erigiu uma música muito actual e multifacetada, com largo espaço para a improvisação e um notável equilíbrio entre os préstimos individuais e o chamado “efeito de grupo”.

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26.novembro.2015 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Sofia Dinger > “A Grande Ilusão”

sofia dinger_a grande ilusao

(Uma atriz apropria-se das palavras de um realizador e propõe uma peça de teatro sobre a arte e a vida. Ensaia os seus oitenta anos.)

“Ao escolher um Mestre, o melhor é escolher um que seja grande. Isto não quer dizer que estamos a comparar-nos. Significa, simplesmente, que estamos a tentar aprender alguma coisa com ele”, disse Jean Renoir. E eu segui o conselho, escolhendo-o como um dos meus Mestres.  Encontro-me com ele na sua desconfiança no que toca a planos demasiado definidos, partilho a sua incapacidade de seguir uma linha. “Amo o meu caos”. Percebo “a personagem secreta, misteriosa, que age ao arrepio das nossas vontades”, que engole a partir de dentro e de que ele tanto fala. E procuro a exaltação do estado de vida, a volúpia, a violência de um corpo em desejo deitado nas margens pinceladas dum rio. Confio que “há um momento em que a criação nos escapa.” E que é nesse momento que estou. Entretanto, recorro ao Mon petit théâtre e construo na companhia do Mestre que escolhi, apropriando-me da sua receita de felicidade: “amar muito a realidade”. “Memórias inventadas são as que melhor vivem em nós” porque “tu és o outro e… nada mais.” E não tenho a certeza se o que acabei de escrever é mesmo verdade ou, talvez, uma “grande ilusão”.

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Híbridos – reflexão e debate

Considerando o Festival Y como um acontecimento privilegiado de congregação de pessoas, ideias e diferentes olhares sobre o Mundo, Híbridos surge como um novo espaço de programação direcionado para a reflexão e debate sobre dimensões temáticas consideradas prioritárias a nível global a partir de diferentes áreas do conhecimento e das artes.
No contexto da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) proclamada pela ONU, esta primeira realização de Híbridos foca-se no universo da afrodescendência em Portugal e propõe um conjunto de atividades heterogéneo que pretende sensibilizar para as problemáticas sociopolíticas que este tema abrange, bem como propiciar uma partilha de ideias ampla e documentada, motivada por diferentes perspetivas cinematográficas, literárias e musicais.

Cinema
2.dezembro > 21h30 > Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista
9.dezembro > 21h30 > Fato completo ou Á procura de Alberto de Inês de Medeiros
Local: UBI > Cinubiteca

Literatura
Comunidade de Leitores *
Neste espaço de liberdade, os livros serão a estrela mais alta. Mas não estarão sozinhos. Os livros transportam conceções do mundo e da vida passíveis de ajudar na construção de uma realidade mais justa. Estes serões à volta das palavras tenderão a ser reveladores das diferenças que nos unem, basta que cada um/a traga consigo a vontade e o sonho.

21.novembro > 21h > autores moçambicanos
19.dezembro > 21h > autores angolanos
16.janeiro > 21h > autores caboverdeanos
23.janeiro > 21h > Conversa/Debate com convidados
Local: Teatro das Beiras [café-teatro]

*participação sujeita a inscrição. Interessados/as deverão entrar em contacto por email [qp@quartaparede.pt] ou telefone [969 785 312]

Música
15.janeiro > Encontros com Beatoven Paranoise

A influência da música hip-hop como foco de intervenção social e de contaminação de culturas em debate entre o músico e produtor musical Beatoven Paranoise e dois grupos de adolescentes.
Locais: Escolas Secundárias





FESTIVAL Y#11 – Abertas as inscrições para a residência artística “O mundo visto da Lua/ O Senhor Walser”

5 11 2014

residenciaRESIDÊNCIA ARTÍSTICA de Criação Cenográfica
O mundo visto da Lua / O Senhor Walser
Direção: José Manuel Castanheira
Estão abertas as inscrições para 20 (vinte) estudantes e/ou profissionais em áreas artísticas muito abrangentes como cenografia, pintura, escultura, vídeo, adereços, iluminação, interpretação, maquetismo, artes digitais, música, sonoplastia, arquitetura, moda. Os/as interessados/as deverão solicitar ficha de inscrição por email, para qp@quartaparede.pt. As inscrições deverão ser efetuadas até dia 24 de novembro. A residência decorre de 27 a 30 de novembro, na Covilhã, com o seguinte plano de trabalho: 27.nov. > 21h – Apresentação e início dos trabalhos | 28 e 29.nov > 10h às 13h e das 14h30 às 18h30 | 30.nov. > 10h às 13h – síntese dos trabalhos.

Sobre a residência artística de Criação Cenográfica “O mundo visto da Lua / O Senhor Walser”:
1 – O Senhor Walser de Gonçalo M. Tavares será o tema central dos trabalhos. Dele emanam os estímulos para os exercícios multidisciplinares de aproximação a uma eventual representação.

2 – Os múltiplos senhores Walser serão assim primeiras, quase instantâneas, pequenas sequências de imagens/imaginários animadas(os), conformando uma qualquer outra geografia inventada. Nova geografia a que poderíamos mais tarde chamar recriação cenográfica, com ou sem palavras.

3 – Assim a história do Senhor Walser será sobretudo o somatório de todas as histórias reinventadas a partir do original, que agora, de algum modo, deve transpirar inquietação, desconforto, em busca de uma metamorfose (metáfora!).

4 – Para as propostas dos participantes, onde esperamos possam presidir e confluir múltiplas linguagens plásticas, forçamos as ideias a um molde onde coabitam diferentes escalas e modos de expressão (liberdades!).

5 – Sobretudo será o olhar singular de cada um, num somatório instantâneo que iremos fundir para uma visão particular deste micro universo.

6 – O olhar, para ser mais consistente, livre e útil, deve conter substancial distância. O distanciamento será assim a pedra basilar deste ambicioso programa a que agora damos início, O MUNDO VISTO DA LUA.

José Manuel Castanheira





EmpoderArte – Encontro sobre Igualdade de Género, Artes e Empowerment

10 10 2014

17.outubro.2014 > Auditório do Teatro das Beiras

02 final

O encontro EmpoderArte, ação conclusiva do NÓS – Projeto de Ação Social e Artística, constitui um momento de reflexão e debate sobre as principais áreas de intervenção deste projeto: a igualdade de género, as artes e o empowerment, com foco no problema do desemprego feminino.

O programa do encontro contempla a apresentação de um vídeo documental sobre os Empowerment Labs e um painel de comunicações que conta com a presença de especialistas nas áreas do Género, Cultura e Ciências Sociais, representantes de instituições locais e de estruturas que têm um papel ativo na promoção da igualdade de género.

PROGRAMA

14h30 | Receção de Participantes

14h45 | Abertura do Encontro por Rui Sena (Quarta Parede) e Catarina Sales (UBI/UBIgual)

15h00 | Vídeo documental: Empowerment Labs

15h30 | Painel

Oradores/as:

Moderadora: Sílvia Ferreira/Quarta Parede

Nóra Kiss – Politóloga, Presidente da REDE – Rede de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens

Vanda Ferreira – Diretora do Instituto de Emprego e Formação Profissional – Centro de Emprego da Covilhã

Ana Catarina Pereira – Departamento de Comunicação e Artes UBI

Nuno Jerónimo – Departamento de Sociologia UBI

16h15 | Debate

16h45 | Encerramento do Encontro





Festival Y#11 – festival de artes performativas | A partir de dia 8 de outubro, na Covilhã

26 09 2014
conceção cartaz: José Manuel Castanheira

conceção cartaz: José Manuel Castanheira

A 11ª edição do Festival Y ocorre no ano em que se comemora o 40º aniversário do 25 de abril. A revolução de abril permitiu-nos a diversidade de opiniões, o acesso à arte de um modo plural e, essencialmente, permitiu-nos confrontar ideias. Não foi fácil este caminho, por um lado já longo e por outro tão breve. Tanto foi o que se fez e tanto o que ainda teremos de realizar… Porque para nós é importante assinalar esta data, a programação do Festival Y dedica dois espetáculos ao 25 de abril, trazidos pelas estruturas Teatro do Vestido e Mundo Perfeito/Tiago Rodrigues. Mas é todo o ecletismo e diversidade que procuramos através da música, da dança, do teatro e da residência artística, bem como das temáticas, e que nos traz uma vez mais a diferenciação e a complementaridade, marcas do Festival Y, nas quais sempre quis ser referencial. É esta pluralidade de ideias, de estéticas, de criadores que nos agrada e por isso a temos como matriz fundamental na Quarta Parede.

Rui Sena, diretor artístico

Programa Festival Y#11 – festival de artes performativas:

8.outubro.2014 [4ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Teatro do Vestido > Fragmentos de Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas”

crédito foto: TdV

crédito foto: TdV                                                                          2h30m | teatro | maiores 12 anos

Sobre a ditadura portuguesa, a revolução e o processo revolucionário

Este projeto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspetiva histórica, política e afetiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espetáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado
O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.
“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração atual”.
Walter Benjamin
Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os ativistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.
Apresentamos no Festival Y#11 fragmentos de um projeto mais amplo, que estreará no final do ano, e ao qual chamámos “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas”. A presente seleção de materiais inclui as palestras performativas: “Arquivos Invisíveis da Ditadura Portuguesa”, “Sobre o Silêncio Persistente”, “Português Entrecortado” e “Quando é que a Revolução Acabou?”.

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10.outubro.2014 [6ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Mário Franco Trio

crédito foto: Lino das Neves   1h30m | música/jazz | maiores 6 anos

crédito foto: Lino das Neves                                                     1h30m | música/jazz | maiores 6 anos

Mário Franco, Sérgio Pelágio e André Sousa Machado conheceram-se enquanto alunos da Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal no início dos anos 80. Desde logo, mostraram uma enorme empatia musical que os levou a criar o Art Jazz Trio, grupo marcante e influente na história do Jazz feito em Portugal.

Continuaram a encontrar-se regularmente em diferentes formações lideradas por outros músicos tais como Mário Laginha, Bernardo Sasseti, Carlos Martins ou Andy Sheppard e nunca perderam contacto artístico.
Em 2009, voltaram a reunir-se como Trio para uma atuação no Hot Clube de Portugal e não mais voltaram a separar-se.
Desenvolvem desde então um repertório muito particular e extenso que inclui arranjos de standards e composições originais para construir um som de grupo e uma capacidade de interplay que os distingue no atual panorama do Jazz nacional e internacional. As influências do grupo são muito diversas e abrangentes e espelham as carreiras individuais dos três músicos: Mário Franco, contrabaixista mas igualmente bailarino e compositor regular para peças de dança e cinema, André Sousa Machado, baterista mas colaborador regular com músicos de outras áreas tais como Fausto ou Rão Kyao, Sérgio Pelágio guitarrista e fundador da companhia de teatro/dança Real Pelágio compondo frequentemente para dança.

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11.outubro.2014 [sábado] > 16h | Covilhã > Pelourinho [percurso Pelourinho-Jardim]
Xaral’s Dixie

créditos reservados 1h | música/jazz | todas as idades

créditos reservados                                                                             1h | música/jazz | todas as idades

Este projeto nasceu no final de 2008, baseado num grupo de amigos, que já tocavam juntos noutros projetos musicais e que a determinada altura, influenciados pelo gosto do estilo Dixie, se decidiram a experimentar tocar uns temas Dixie.
A sensação foi tão boa que ainda hoje quando tocamos esses temas, sentimos a mesma emoção das primeiras vezes.
Somos oito elementos e o nosso objetivo é simples, divertirmo-nos e divertir as pessoas com este estilo tão alegre e desconcertante, sustentado num fraseado melódico, quase sempre alegre, definitivamente bem disposto e sempre com a liberdade que está na base do estilo Dixie.

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14.outubro.2014 [3ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Rafael Alvarez > sweetSKIN

crédito foto: Susana Paiva 50min. | dança | maiores 12 anos

crédito foto: Susana Paiva                                                                        50min. | dança | maiores 12 anos

“sweetSKIN” é um solo criado e interpretado pelo coreógrafo Rafael Alvarez, cuja matéria incide num encontro improvável entre a personagem de um skinhead com as Suites para Violoncelo Solo de Bach, procurando refletir sobre os nossos ‘modos de ver’ e perspetivar a realidade. De que forma equívocos e preconceitos se corporalizam nas coisas que julgamos conhecer, tomando o todo pela parte? Como se constroem novas narrativas para um corpo, um lugar ou uma imagem que já ‘re-conhecemos’, subvertendo e desconstruindo estereótipos? “Nem sempre aquilo que parece é” ou “não julgues um livro pela sua capa” são algumas das ideias chave que o coreógrafo desenvolve nesta criação, cuja estreia teve lugar em 2010 no Centro Cultural de Belém (coprodução Centro Cultural de Belém) acompanhado ao vivo na sua versão original pelo violoncelista Nuno Abreu.
“sweetSKIN” foi apresentado em Lisboa (Centro Cultural de Belém), em Coimbra no Festival Citemor (Teatro da Cerca de São Bernardo), em Madrid (Teatro Pradillo), em Natal (Encontro Internacional de Dança Contemporânea), em São Paulo (Fórum Internacional de Dança do Estado de São Paulo) e em Buenos Aires.

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16.outubro.2014 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Tiago Rodrigues/Mundo Perfeito > Três dedos abaixo do joelho

crédito foto: Magda Bizarro 75min. | teatro | maiores 12 anos

crédito foto: Magda Bizarro                                                       75min. | teatro | maiores 12 anos

No arquivo da Torre do Tombo, Tiago Rodrigues encontrou um arquivo enorme da censura exercida sobre o teatro durante o regime fascista. Entre milhares de textos de teatro submetidos ao exame dos censores do Secretariado Nacional de Informação, Tiago Rodrigues ficou particularmente interessado nos relatórios escritos pelos próprios censores onde explicam os cortes ou proibições de textos e encenações.
A ironia por trás de Três dedos abaixo do joelho é que transforma os censores em dramaturgos, usando os seus relatórios como o texto de um espetáculo que é uma máquina de censurar poética e absurda. De alguma forma, aqueles que oprimiram a liberdade artística e política do teatro deixaram-nos uma herança que nos pode ajudar a redescobrir o perigo e a importância do teatro na sociedade.

Este espetáculo foi escolhido pelo jornal Público como um dos 10 melhores apresentados em Portugal em 2012 e foi nomeado para os prémios SPA na categoria de Melhor Texto Português Representado e Melhor Espetáculo de Teatro, tendo sido premiado pela última nomeação. Foi galardoado na categoria Melhor Espetáculo de Teatro de 2012 pelos Globos de Ouro.

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21.outubro.2014 [3ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Rui Catalão > A exaustão da confiança

créditos reservados 1h | peça-conferência | maiores 12 anos

créditos reservados                                                                            1h | peça-conferência | maiores 12 anos

A exaustão da confiança

A partir de textos de Richard Dawkins e de Samuel Johnson, uma reflexão sobre a desagregação da solidariedade social, e da própria vida em comum, a partir do momento em que deixamos de estar em contacto com os corpos anónimos com quem nos relacionamos através da net.

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23.outubro.2014 [5ª feira] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Mariana Tengner Barros > The Trap

crédito foto: Marco Pires aprox. 45min. | dança/performance | maiores 16 anos

crédito foto: Marco Pires                                                                   c. 45min. | dança/performance | maiores 16 anos

THE TRAP surge no sentido de continuar a trabalhar sobre a temática da identidade do corpo e o poder da sua representação na arte e nos media, explorando a sua relevância nos fenómenos sociais da “fama”, “aparência” e “simulacro”. THE TRAP é uma armadilha, sobre a derradeira armadilha (a sociedade do espetáculo) e as aberrações que propõe, a felicidade que induz, o modo como as pessoas se representam e se mostram, as tensões entre “parecer” e “ser”, o glamour e a sua destruição, o ridículo que emerge nos processos de construção e desconstrução da nossa própria imagem e identidade. Um dos pontos paradigmáticos dessa construção de identidade, passando pelo crivo do “vencer” e “conseguir”, prende-se de facto com o fenómeno sócio-televisivo atualmente hiper-acentuado da “ fama” e do “ ícone”. Interessa-me escavar essas maneiras de apresentar e “enfeitar” o corpo, de o promover com o fim de “ser-sucesso” (seja o que representar para o indivíduo). Este “ser-sucesso” demonstra ser a manifestação quase patológica da ideologia do progresso/capitalismo. Em derradeira análise, e em tom jocoso, estaremos perante essa longínqua ressaca iluminista, se “ser-sucesso” for o último patamar do progresso.

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25.outubro.2014 [sábado] > 21h30 | Covilhã > Auditório Teatro das Beiras
Pé de Pano/Peter Michael Dietz > Medo de ser matéria

crédito foto: Helder Milhano 45min. | teatro/dança | maiores 12 anos

crédito foto: Helder Milhano            45min. | teatro/dança | maiores 12 anos

Este solo tem por base ideias muito simples.
Hoje, o que somos nós neste mundo? O que nos move e o que nos prende? O que nos estimula e o que nos restringe?
O Ser e o Corpo são a Matéria deste espetáculo.
Aqui voltamos ao Corpo.
Ao corpo real e virtual, quotidiano e performativo. Ao Corpo em Metamorfose. Ao Corpo Sangue. Ao Corpo Pensamento. Ao Corpo Olho. Ao Corpo Desejo. Ao Corpo em queda.
Pergunto e desafio-me: hoje, o que sou eu como performer, como criadora, nesta cidade, neste país, neste mundo?
No sentido de mantermos uma reflexão aberta e universal a PédePano – Associação convidou o criador Peter Michael Dietz para dirigir o processo de pesquisa e de criação.
Maria Belo Costa

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 27|28|29|30.novembro.2014 | Covilhã 

Residência artística “O mundo visto da lua”, com direção de José Manuel Castanheira

A residência artística “O mundo visto da lua” pretende juntar cenógrafos, profissionais do espetáculo e estudantes das várias áreas artísticas, incluindo as ciências da cultura e a arquitetura para, em conjunto, discutirem e elaborarem, em ambiente de oficina, questões à volta da criação de um projeto transdisciplinar. Durante 4 dias tentamos organizar e projectar linhas de ação, métodos e ferramentas para um futuro espetáculo inovador. Os trabalhos desenvolvem-se à volta de temáticas provenientes da literatura e deambulam por linguagens como a dramaturgia, cenografia, vídeo, cinema e a iluminação, com especial incidência no recurso às novas tecnologias digitais.





1º ANDAR – mostra de criadores emergentes 2014 > Receção de propostas até 1 de setembro

22 08 2014

Últimos dias para envio de candidaturas para o 1º Andar – mostra de criadores emergentes 2014. As propostas poderão ser enviadas até ao dia 1 de setembro de 2014.

1º Andar consiste numa mostra de jovens criadores profissionais no âmbito das artes performativas [dança, teatro, performance]. Uma das preocupações da Quarta Parede é dar espaço e visibilidade a artistas emergentes, acreditando que a região, os espetadores e os criadores ganham um espaço de fruição e desenvolvimento artístico. Divulgar e fomentar os novos criadores e as novas linguagens artísticas, bem como apostar na qualidade das obras são os objetivos que se perseguem para que o tecido da criação artística continue a experimentar novos caminhos. Num mundo em que grande parte das pessoas tem enorme dificuldade no seu primeiro emprego, situação agravada no domínio das artes, é para nós extremamente gratificante apoiar projetos que se caracterizem pela sua qualidade e contribuir para a afirmação destes criadores.

Serão selecionados 4 espetáculos, a apresentar em novembro.2014.

 Para participar, os interessados deverão respeitar os seguintes requisitos:

– apresentação de projeto artístico na área das artes performativas [dança, teatro, performance], que tenha sido estreado a partir de 2012, inclusive;

– o projeto artístico apresentado deverá ser, no máximo, a 2ª criação do(s) criador(es), em contexto profissional;

– o projeto artístico deverá ter a duração mínima de 30 minutos;

não ter recebido mais do que dois apoios financeiros institucionais.

Os interessados deverão solicitar o regulamento e ficha de inscrição por email [qp@quartaparede.pt] ou fazer download dos mesmos aqui.





Rui Sena participa no debate “Cultura na Beira Interior: Caminhos e encruzilhadas”, dia 31 de julho

28 07 2014

A SEGUNDA edição de 2014 dos “Encontros com a Beira”, uma parceria entre o Jornal do Fundão e a empresa Celtejo, será dedicada à cultura na região. Sob o tema “Cultura na Beira Interior: Caminhos e encruzilhadas”, o evento está marcado para 31 de julho, quinta-feira, às 21h30, na Covilhã, no espaço exterior do Teatro das Beiras, a companhia de teatro anfitriã deste Encontro que celebra, este ano, o 40.º aniversário.

Na mesa do debate moderado pelo diretor do Jornal do Fundão, Nuno Francisco, estarão Fernando Sena, diretor do Teatro das Beiras; Rui Sena, diretor artístico da Quarta Parede – Associação de Artes Performativas da Covilhã; Carlos Semedo, programador cultural em Castelo Branco; Gabriel Magalhães, escritor, membro da comissão de curso e docente na licenciatura de Ciências da Cultura da Universidade da Beira Interior; João Correia, diretor da Academia de Música e Dança do Fundão e Hélder Sequeira, quadro superior do Instituto Politécnico da Guarda. A iniciativa “Encontros com a Beira” pretende organizar por toda a região debates públicos de proximidade, abertos à participação da população, onde se debaterão questões intimamente ligadas ao contexto económico, social e cultural da Beira Interior.

Este segundo Encontro de 2014 – depois de em abril se ter realizado em Penamacor um fórum dedicado à questão da demografia e território – será centrado na produção cultural da região: identidade, especificidades, problemas e subsistência dos projetos culturais nesta geografia do Interior e no atual contexto económico. Um amplo debate que vai envolver os convidados e o público, naquilo que se pretende ser um consequente fórum de reflexão e de partilha de ideias e experiências.