FESTIVAL Y#18 NO TMG

6 05 2022

Festival Y#18-festival de artes performativas no Teatro Municipal da Guarda com o espetáculo de teatro “Atlântico” de Tiago Cadete!

18.05.2022 (quarta-feira) I 21h30
Teatro Municipal da Guarda Pequeno Auditório

© Filipe Ferreira

Atlântico parte de uma viagem de Cruzeiro de Portugal em direção ao Brasil, percurso outrora desconhecido pelos portugueses, transformado nos dias de hoje em rota de férias. Turistas viajam pelo mesmo caminho que já foi trânsito de corpos escravizados ou de marinheiros obrigados a sair do seu país para explorar esse denominado “Novo Mundo”. Esse oceano também é lugar de fábulas e monstros, desafios e superações. Que novo Atlântico é esse e que memórias traz quando passamos por ele?

Criação, interpretação e vídeo: Tiago Cadete I Música: Bruno Pernadas I Luz: Rui Monteiro I Figurino: Carlota Lagido I Apoio dramaturgia: Bernardo de Almeida I Voz off: Leonor Cabral I Direção técnica: Nuno Patinho I Assessoria de imprensa: Mafalda Simões I Produtora: Ana Lobato I Fotografias: Miguel Ribeiro Fernandes I Produção: Co-pacabana I Coprodução: Teatro Nacional D.Maria II, Teatro Municipal de Faro e Festival Citemor I Parceria: Antena 3

teatro I 60 min I M/12





Festival Y#18-festival de artes performativas

5 04 2022
Cartaz: José Manuel Castanheira

O que nos leva a assistir a um espetáculo? E o que nos impede?

Estas estão entre as perguntas que nos acompanham no desenho e produção do Festival Y, e a cada edição, parece-nos vislumbrar linhas de respostas possíveis. Há 18 edições que procuramos destrinçar estas linhas na construção de um festival para os públicos da beira interior, atento à criação artística e aos mundos contemporâneos, com um olhar no que foi e muitas perguntas ao que virá.

A irreverência que defendemos para o Y, assume especial sentido nesta 18ª edição. Um número que nos impele a uma liberdade, entusiasmo, ímpeto, fluidez, que contrastam com os inquietantes acontecimentos mundiais e com as limitações tantas vezes bloqueadoras das circunstâncias que nos envolvem.

Neste difícil contexto, propomos um programa de espetáculos transdisciplinar que nos indaga e confronta com questões iminentes e que, em simultâneo, propõe outras dimensões de existência possíveis.

Com Dada Garbeck, Costanza Givone, Inês Campos, David Marques, Denis Santacana e Raquel Castro, levamos este Y à Covilhã e a Castelo Branco. E também a Bilbao, através do projeto de internacionalização “Do outro lado / Al otro lado” que nos traz Denis Santacana e leva Ana Jezabel à La Fundición.

Com o Y PÚBLICOS, prosseguimos um trabalho que nos é fundamental de envolvimento dos públicos para e com as artes contemporâneas.

Voltamos às perguntas, “o que nos leva a assistir a um espetáculo e o que nos impede?”, nem todos/as temos o tempo, a oportunidade ou o privilégio para as fazer. Por isso, desejamos contar convosco para partilhar este Y#18 e virem celebrar os 20 anos de atividade da Quarta Parede.

PROGRAMAÇÃO

© Pedro Bastos

Dada Garbeck
The Ever Coming – Cosmophonia
13.04.2022 (quarta-feira) | 21h30
Teatro Municipal da Covilhã

Se pudéssemos desenhar a Cosmophonia proposta por Dada Garbeck, é possível que coincidisse com o padrão do tecido do cosmos. A música, curiosamente, parece ser simultaneamente a causa e o efeito de tudo, parece tecer os nós essenciais e invisíveis do mundo, ao mesmo tempo que é a sua manifestação, como se um criador criasse a criatura que o cria a ele. Uma ideia de Cosmophonia é a possibilidade de, ao ouvir, criar.

Afonso Cruz

Sintetizadores e voz: Dada Garbeck | Voz: Alexandra Saldanha e Filipa Torres | Saxofone Alto: João Mortágua | Trompete: Pedro Jerónimo | Baixo: Nuno Duarte | Bateria: Pedro Gonçalves Oliveira

música | 60min | M/6

© Susana Neves

Costanza Givone
Fogo Lento
28.04.2022 (quinta-feira) | 21h30
Auditório Teatro das Beiras | Covilhã

Foi da vontade de investigar as camadas de histórias dos hábitos culinários do dia-a-dia que surgiu este espetáculo. Há um jantar para ser preparado, há uma mulher italiana e um homem português, há uma mesa e há conceitos como identidade ou tradição que precisam de ser descascados e cozinhados em lume brando para se apurar o seu sentido. Um trabalho performativo onde o público é envolvido na ação cénica, até, no final, ser convidado a cozinhar e comer os pratos preparados durante o espetáculo.

Direção artística: Costanza Givone | Cocriação e interpretação: Ricardo Vaz Trindade e Costanza Givone | Apoio dramatúrgico: Raquel S. | Desenho de luz : Francisco Campos | Direção técnica: Mariana Figueroa | Carpintaria: Armindo Sá | Vídeo e design gráfico: João Vladimiro | Fotografias: Susana Neves / FIMP | Coprodução: Comédias do Minho, Teatro Municipal do Porto e FIMP- Festival Internacional de Marionetas do Porto | Produção: Fogo Lento – Associação Cultural

teatro / performance | aprox. 80 min | M/6

© Rafaël Dacoster

Inês Campos
Coexistimos
04.05.2022 (quarta-feira) | 21h30
Auditório Teatro das Beiras | Covilhã

Coexistimos é uma colagem de metáforas sobre o desafio de ser só um e querer ser tantos. Ser o tigre e o domador, um palhaço triste e um ataque de riso, viver vários corpos, querer ser a realidade dos seus sonhos. Passar por estados temporários e estar presente em cada um deles. Exprime a crença de que as artes são promíscuas e gostam da companhia umas das outras. Tem dança, teatro, cinema, manipulação de objetos e artifícios variados que tentam criar uma sucessão de ilusões.

Concepção e Interpretação: Inês Campos | Sonoplastia: Filipe Fernandes, João Grilo e Inês Campos | Desenho de luz e operação: Mariana Figueroa e Inês Campos | Adereços e Cenografia: Inês Campos, Mariana Figueroa e Marta Figueroa | Aconselhamento artístico: Pietro Romani | Produção executiva: Eira – Dança Contemporânea e Performances | Apoio financeiro: Teatro Municipal do Porto | Residências: Teatro do Campo Alegre, Companhia Instável, Högskolan för scen och musik Gothenburg, Teatro de Ferro, deVIR CAPa, Free Flow e Bando dos Gambozinos | Fotografia promocional: Raphaël Decoster

dança / teatro / manipulação de objetos| 40 min | M/6

©Alípio Padilha

David Marques
Dança Sem Vergonha
25.05.2022 (quarta-feira) | 21h30
Teatro Municipal da Covilhã

A minha “dança sem vergonha” talvez exista apenas no teatro e só seja possível pelo cruzamento de vários espaços, tempos e motivações: o quarto que associo ao tempo da infância, a discoteca que associo ao tempo da adolescência e o estúdio que associo à idade adulta. Ao teatro associo o tempo do presente, durante uma performance, de ambos espectadores e intérpretes. Dançada por mim esta dança-sensação é imediata e refletida, simples e complexa, referencial e naïf, abstrata e simbólica, séria e divertida, íntima e partilhada, técnica e despreparada.

Criado e dançado por David Marques | DJ set ao vivo: Joe Delon | Espaço: Tiago Cadete | Vídeo: Diogo Brito | Figurino: Tiago Loureiro | Olhar exterior: Patrícia Milheiro | Direção técnica: Gonçalo Alegria | Residências: Estúdios Victor Córdon e EIRA/Teatro da Voz | Gestão e administração: Vítor Alves Brotas | Produção: PARCA com AGÊNCIA 25 | Coprodução: PARCA e EIRA/ Festival Cumplicidades | Apoio: Curtas de Dança 2019 – Festival DDD Dias de Dança (para o desenvolvimento do vídeo) e Self-Mistake – Bolsa de Experimentação | Fotografia promocional: Ágata Xavier

dança | 70 min | M/6

© Beatrix Molnar

Denis Santacana
Encuentros
Integrado no projeto Do outro lado / Al otro lado
com La Fundición-Bilbao
03.06.2022 (sexta-feira) | 21h30
Auditório Teatro das Beiras | Covilhã

Perdido entre as pessoas observo o desenho ramificado que ficou a meus pés. Encho o meu copo e olho para trás no reflexo. Imagino uma realidade paralela na qual esta figura desta vez tomou uma decisão diferente. Disfarçadamente, derramo o líquido e o desenho muda novamente. Desfaço mentalmente todos os meus movimentos, obcecado pela ideia de que cada pequena ação, cada decisão, cada encontro, possa ser o começo de um sem fim de caminhos. Baixo o copo e observo-me no mesmo ponto de partida. Qual é a decisão certa? Talvez seja o momento de deixar-se levar pela maré.

Direção: Denis Santacana | Coreografia: Denis Santacana e Victor Fernández | Intérpretes: Denis Santacana e Víctor Fernández | Música original: Víctor Guadiana | Iluminação: Sergio Dominguez

dança | 55 min | M/6

© Bruno Simão

Raquel Castro
Turma de 95
15.06.2022 (quarta-feira) | 21h30
Teatro Municipal da Covilhã

17.06.2022 (sexta-feira) | 21h30
Fábrica da criatividade | Castelo Branco

Em Turma de 95, uma trivial fotografia escolar de grupo de há 25 anos funciona dramaturgicamente como uma poderosa máquina do tempo. Apropriando-se de Class of 76, de Alex Kelly, o fundador dos Third Angel, Raquel Castro revisita e questiona a sua adolescência e a dos seus colegas de turma ao cruzar memórias do passado e a realidade do presente. Partindo de entrevistas prévias e de uma convenção de teatro documental, a encenadora constrói em Turma de 95 um retrato pessoal de uma geração a braços com as expectativas e dores da adolescência, num Portugal em tempo de expansão económica e de abertura à Europa.

a partir do espetáculo Class of 76, de Third Angel | Criação e interpretação: Raquel Castro | Apoio à dramaturgia: Alexander Kelly | Direção de produção na criação original: Vítor Alves Brotas – Agência 25 | Desenho de luz: Daniel Worm | Apoio técnico: João Gambino | Direção técnica em digressão: Tiago Coelho – Ficha Tripla | Fotografias de cena: Bruno Simão | Residência: O Espaço do Tempo e Pólo Cultural das Gaivotas

teatro | 70 min | M/12

Y PÚBLICOS 2022

O Y PÚBLICOS valoriza o envolvimento, participação e formação dos públicos para e com as artes contemporâneas. Propõe-se um conjunto de ações orientadas pela transversalidade entre as artes performativas e outras áreas artísticas, do conhecimento e da vida, algumas da quais conectadas com espetáculos do Festival Y#18.

Comunidade de Espetadores

Encontros informais entre público e artistas para partilha de sentidos após os espetáculos. Uma oportunidade para conhecer mais a fundo os artistas e os seus processos criativos.

28.04 Fogo Lento de Costanza Givone
04.05 Coexistimos de Inês Campos
14.07 Espetáculo LabSénior, Quarta Parede

Laboratório de Artes Performativas Sénior

O LabSénior é um projeto de experimentação, pesquisa e criação artística para adultos seniores que desenvolvemos desde 2018. A tradição oral da Cova da Beira e dimensões relacionadas com as faculdades e processos da memória são ponto de partida para a pesquisa dramatúrgica e performativa e para a criação de um espetáculo a apresentar no dia 14 de julho no Teatro Municipal da Covilhã.
Participação gratuita sujeita a inscrição.

De março a dezembro (semanal) | Local: Centro Ativ’Idades/Covilhã.

Direção artística: Sílvia Pinto Ferreira | Composição sonora: Defski

Oficina Interseções

Oficinas que exploram matérias dramatúrgicas e performativas levantadas no LabSénior. Estas oficinas dirigem-se a público em geral e público escolar e contam com a participação dos seniores do laboratório.
Participação gratuita sujeita a marcação.

Direção artística: Sílvia Pinto Ferreira | Composição sonora: Defski

BILHETEIRA E RESERVAS

Teatro Municipal da Covilhã
Rua Rui Faleiro, 1, 6200-505 Covilhã
www.tmc.com.pt

Horário de bilheteira
3ª feira a sábado: 14h30 às 19h30 (exceto feriados)
Dias de espetáculo: 14h30 às 19h00 e das 20h30 às 21h30

Bilhete geral: 6,00 €
Bilhete c/desconto: + 65 anos / – 30 anos > 4,50 €
Online: www.ticketline.sapo.pt

Teatro das Beiras
Travessa da Trapa, 2, 6200-216 Covilhã
www.teatrodasbeiras.pt

Horário de bilheteira
2ª feira a 6ª feira: 09h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00
Dias de espetáculo: 1h00 antes de cada espetáculo

Reservas
Tel. 275 336 163 I geral@teatrodasbeiras.pt

Bilhete geral: 6,00 €
Bilhete c/desconto: 3,00 € (<25 anos, >65 anos, estudantes, profissionais do espetáculo, trabalhadores ADC, sócios INATEL)
Online: www.ticketline.sapo.pt

Fábrica da Criatividade / Cine-Teatro Avenida
Avenida General Humberto Delgado, 6000-081 Castelo Branco
www.facebook.com/programacaoculturalmunicipiocb

Horário de bilheteira
3ª feira a sábado: 14h00 às 19h00
Dias espetáculo: 15h00 às 19h00 e das 20h30 ao início do espetáculo

Reserva de bilhetes
Tel. 272 349 560 | bilheteira.ctavenida@gmail.com

Bilhete geral: 5,00 €
Online: www.ticketline.sapo.pt





Festival Y#18-festival de artes performativas

28 03 2022

13 de abril a 17 de junho

> PROGRAMAÇÃO DISPONÍVEL EM BREVE

Cartaz: José Manuel Castanheira





Y#17 Sonoscopia – Gestos Invisíveis

21 01 2022

GESTOS INVISÍVEIS/Máquina Magnética da Sonoscopia encerra o Festival Y#17-festival de artes performativas, no dia 10.02.2022, às 21h30 no Teatro Municipal da Covilhã.

Sinopse

Partindo da invisibilidade do gesto eletrónico como elemento de exploração musical e cénica, surge um espetáculo em que a eletrónica digital do duo de Miguel Carvalhais e Pedro Tudela (também conhecido por @c) encontra os instrumentos percussivos customizados de Gustavo Costa e a luz e vídeo em tempo real de Rodrigo Carvalho. Em palco cruzam-se perspetivas musicais que têm como ponto comum a experimentação e que renovam as linguagens das vanguardas musicais, dando origem a um espaço luminoso, intenso, e invisivelmente expressivo.

Ficha artística

Percussão: Gustavo Costa I Computador: Miguel Carvalhais I Computador: Pedro Tudela I Visuais: Rodrigo Carvalho I Produção: Sonoscopia I Projeto apoiado pela República Portuguesa – Cultura e Dgartes.

Bilheteira

Bilhetes disponíveis em –

https://ticketline.sapo.pt/evento/sonoscopia-gestos-invisiveis-61224?fbclid=IwAR3W07hkDWHIxFpTmB3a2q89L-g1xkh15wGllMaUY3zgxrz158NGYLsVjII

Sobre a Sonoscopia

A Sonoscopia é uma associação para a criação, produção e promoção de projetos artísticos e educativos, centrada nas áreas da música experimental, na pesquisa sonora e nos seus cruzamentos transdisciplinares. Desde a sua criação, em 2011, produziu mais de 600 eventos, criações artísticas, atividades pedagógicas e publicações. Esteve presente em cerca de 20 países europeus, bem como em geografias tão distantes quanto os Estados Unidos, o Líbano, o Japão, a Tunísia ou os Emirados Árabes Unidos. Das suas criações destacam-se os projetos Phonambient, INsono, Phobos – Orquestra Robótica Disfuncional e Phonopticon. Em Portugal, a Sonoscopia é parceira de entidades como a Fábrica das Artes/CCB, o Teatro Nacional São João, a Fundação de Serralves, o Cine‑Teatro Louletano, o GNRation e o Teatro de Ferro. Dispõe ainda de um espaço localizado no Porto, com pequenos estúdios equipados e preparados para a concepção e produção de trabalhos criativos e científicos, residências e apresentações informais, tendo acolhido centenas de artistas de todo o mundo. A Sonoscopia é uma estrutura apoiada pela República Portuguesa – Cultura/Direção-Geral das Artes.





VELEDA – Reflexão & Debate

4 12 2021

Dia 10.12.2021, às 14h30 – 18h30, no Teatro Municipal da Covilhã, convidamos todas(os) a participarem do encontro VELEDA – Reflexão & Debate, evento de finalização do projeto VELEDA – Mulheres e Monoparentalidade, promovido pela BEIRA SERRA – Associação de Desenvolvimento, do qual a Quarta Parede é parceira. Neste encontro partimos de impactos e olhares sobre o projeto para o debate alargado a toda a comunidade acerca das questões da monoparentalidade e das práticas artísticas comunitárias. Integrado no encontro teremos ainda a apresentação da publicação “Práticas Artísticas – Participação e Política” de Hugo Cruz.

O projeto VELEDA dirige-se a mulheres sós com filhos a cargo e usa o teatro como agente criativo para a transformação pessoal e social, teve início em janeiro de 2019 com a criação dos Laboratórios de Pesquisa Social e Artística onde foi feito o levantamento de materiais (histórias de vida, experimentação artística) com o objetivo da criação de um espetáculo de teatro documental apresentado em julho de 2021.

O projeto tem como parceiros a Universidade da Beira Interior – UBI, o MDM – Movimento Democrático de Mulheres, e os Municípios de Belmonte, Covilhã e Fundão, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da Iniciativa PARTIS. O VELEDA – Reflexão & Debate conta com o apoio do Teatro Municipal da Covilhã.






Nova criação “Rasgar Silêncios” estreia 25.NOV.2021

17 11 2021

Não preciso, não precisamos da vossa pena. Só exigimos que cada pessoa perceba a naturalização sistemática que destinamos às muitas violências que as relações de intimidade podem conter. Que não se calem em relação ao que sofrem, que não guardem silêncio em relação ao sofrimento que vêem ou intuem ver ao vosso redor. Chega de uma sociedade cúmplice e desculpabilizadora dos agressores, quase sempre socialmente tão competentes e normais.
Patrícia dos Santos Pedrosa*

Cresci a ouvir histórias sobre mulheres que eram agredidas. Não contadas por elas, mas por outras pessoas, sobretudo mulheres. Falava-se quase em surdina e com meias palavras, escutavam-se os lamentos muito velados, lamentava-se com olhares baixos e lábios franzidos, mas não se denunciava e muito raramente se confrontava os agressores. Era considerado normal, era aceite. Admitia-se que era terrível, mas era “um mal menor”. E porquê? Porque atrás das expressões “a cada um a sua vida” e “entre marido e mulher não se mete a colher”, estão séculos de patriarcado que parecia (ou parece?) ser suportado pela generalidade das mulheres como se algumas tivessem de ser sacrificadas para que outras valorizassem os seus privilégios e a sua sorte. Quais privilégios? Qual sorte? A liberdade, igualdade, dignidade e fraternidade são direitos humanos sem distinção de género, classe e raça.

Cresci a ouvir histórias sobre mulheres que eram agredidas. Isto nos anos 80 e 90. E depois? E agora em 2021? Continuei e continuo a ouvir estas histórias (daí este espetáculo), com a diferença de que há um enquadramento legal para a violência doméstica e, logo, mais apoio institucional, muito mais denuncias, mais visibilidade mediática e mais sensibilização. Mas a violência continua e outras formas de violência surgem, muitas delas invisíveis, mas igualmente perniciosas.

O espetáculo RASGAR SILÊNCIOS tem como cerne dramatúrgico e performativo textos escritos em sessões de escrita autobiográfica por diferentes mulheres (em termos de idade, profissão, escolaridade e nacionalidade) que têm em comum o facto de serem vítimas de violência doméstica e de género. É um espetáculo de proximidade que procura uma tradução sensível de experiências traumáticas, muitas do domínio do indizível, através da interseção entre teatro, sonoplastia, luz e vídeo composto em tempo real. Foi construído com uma grande ambição: partilhar histórias de vidas de marcadas pela violência e com ELAS chegar a ti e tocar-te.

Os esforços contra a violência deviam começar dentro de cada pessoa, como uma carta de si para si, a refletir sobre “eu potencial vítima ou agressor(a)” e, sobre as vezes que encolhemos os ombros, nos resignámos e nos remetemos para o “não há nada que eu possa fazer” perante uma situação de violência física, psicológica, sexual ou financeira.

Mas, para resolver problemas enraizados, para que processos de mudança de pensamento e comportamento realmente sejam ativados, para além da ação institucional, precisamos do coletivo. E o coletivo pode ser uma plateia ou pessoas vizinhas, familiares, amigas ou colegas. Precisamos de alimentar a proximidade que nos permite fazer uns pelos outros, cuidar uns dos outros, tratarmo-nos melhor, com mais atenção, empatia e generosidade. Precisamos de expor sem peias as muitas e diferentes formas de violência doméstica e de género e falar sobre isso de forma aberta com as crianças, jovens e entre adultos. Refletir mais, fazer melhor, estar mais atento, questionar-nos sobre o que nos acontece e aos outros, ganhar coragem uns com os outros contra o silêncio e a indiferença. Que este espetáculo possa contribuir um pouco para isso e tu também.

Sílvia Pinto Ferreira

*excerto de artigo publicado na edição do jornal O Público de 29 de março de 2019.

Este espetáculo desenvolve-se no âmbito do projeto RASGAR SILÊNCIOS dirigido ao reforço do empoderamento de mulheres sobreviventes de crimes de violência doméstica e de género e à sensibilização da população em geral para o impacto da violência doméstica nas vítimas e na sociedade. O projeto aposta ainda na sensibilização de profissionais de primeira linha de intervenção junto das sobreviventes de violência doméstica e de género. O projeto é promovido por uma parceria coordenada pela CooLabora, com o Município da Covilhã, a Quarta Parede e a Universidade da Beira Interior. Teve início em março de 2019 e terminará em fevereiro de 2022. É financiado pelo Programa Cidadãos Ativ@s / Active Citizens Fund, gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a Fundação Bissaya Barreto.

Ficha Artística e Técnica
Direção artística, dramaturgia e interpretação: Sílvia Pinto Ferreira Paisagens visuais: Raquel Fradique Conceção Sonora: Defski Direção Técnica e Luz: pedro fonseca/coletivo, ac Vozes: Ana Leonor Santos, Celina Gonçalves, Fernanda Lourenço, Maria Belo Costa, Pedro Fonseca, Teresa Correia Figurinos: Tramadesign e Paulo Minguens Serrão Consultoria Artística: Rui Sena Consultoria na Área da Violência Doméstica e de Género: Coolabora Comunicação e Produção: Bruna Kievel Design Gráfico: Raquel Fradique

Área artística: Teatro I Classificação etária: M/14 anos I Duração: aprox. 60min

Agradecimentos: Agueda Simo, Ana Leonor Santos, Celina Gonçalves, Carlos Micaelo Farias, Catarina Sales, Fernanda Lourenço, Maria Belo Costa, Marta Ricardo, Patrícia Pedrosa, Paulo Minguens Serrão, Teresa Correia. A todas as participantes do projeto Rasgar Silêncios cuja coragem, resistência e perseverança são uma inspiração para a vida.

RESERVAS DE BILHETES
E-mail: quartaparedeartesperformativas@gmail.com I Telefone: 926 276 267
*Os bilhetes são gratuitos sujeitos a reserva e à lotação da sala.





Festival Y#17 – Frederico Dinis

11 10 2021

Dia 16.10.2021, às 21h30, no Auditório do Teatro das Beiras/Covilhã, apresentámos o espetáculo TRANSIENT BOUNDARIES de Frederico Dinis

Transient Boundaries é uma performance audiovisual inspirada no património material e imaterial associado aos lanifícios da Covilhã, um território cuja atmosfera tem a capacidade de nos transportar para novas dimensões dos lugares que o integram. Trata-se de um território vivo que se tornou num valor universal, reconhecido pela sua história, e cuja memória preservada nestes lugares remetem para um sentido metafórico de complementaridade, espacial e de natureza geográfica.

© Frederico Dinis

Ficha Artística
Conceito, gravação, edição, som, imagem, composição e interpretação: Frederico Dinis I Produção: Quarta Parede – Festival Y#17 I Apoio: Quarta Parede, Museu de Lanifícios da UBI, New Hand Lab, Pensamento Voador, CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, ObEMMA – Observatory of Electronic Music and Media Art I Agradecimentos: ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios, Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa, Tinturaria/Câmara Municipal da Covilhã

Área artística: performance audiovisual/arte site-specific
Classificação etária: M/6

BILHETEIRA E RESERVAS
COVILHÃ > TEATRO DAS BEIRAS

Travessa da Trapa, 2, 6200-216 Covilhã

Horário de bilheteira
2ª feira a 6ª feira: 09h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00 I Dias de espetáculo, bilheteira aberta 1h00 antes de cada espetáculo

Reserva de bilhetes
Tel. 275 336 163 I geral@teatrodasbeiras.pt

Bilhete geral: 6,00 €
Bilhete c/desconto: 3,00 € (<25 anos, >65 anos, estudantes, profissionais do espetáculo, trabalhadores ADC, sócios INATEL)





EM TRÂNSITO 2021

6 10 2021

EM TRÂNSITO – artes performativas para novos públicos 2021, convida miúdos e graúdos para a descoberta de universos criativos que aliam o lúdico ao estímulo da imaginação e do pensamento. Acreditando que o exercício da sensibilidade artística é uma ferramenta para a vida, esta programação dirige-se à formação de públicos independentemente da sua faixa etária e tem por base uma criteriosa atenção em relação aos conteúdos e formatos dos espetáculos que acolhe.

Em 2021 o EM TRÂNSITO é composto por três espetáculos, entre música, dança e teatro, num total de seis sessões para público escolar e público em geral, com foco nas famílias.

Histórias Magnéticas > Sérgio Pelágio

18.10.2021 I 15h00 I Auditório do Teatro das Beiras I Covilhã

19.10.2021 I 10h30 e 15h00 (duas sessões) I Auditório do Teatro das Beiras I Covilhã

PÚBLICO ESCOLAR

© Carlos Bártolo

Sinopse

As Histórias Magnéticas viajam até à Covilhã para levar uma história-contada-concerto para guitarra elétrica e voz, seguida de um atelier para o público participante. A recente criação de Sérgio Pelágio fala de uma criança que viveu a transição do fascismo para a democracia em Portugal. Uma homenagem à geração de pais e mães que não se resignaram e arriscaram a vida para que hoje possamos viver num país melhor. Sem nunca esquecermos que, hoje como ontem, é preciso estar atento às marés!

Ficha Artística
Composição original, texto original, direção e guitarra elétrica: Sérgio Pelágio I Narração: Isabel Gaivão

Área artística: cruzamentos
Duração: 1h30 (espetáculo + atelier)

Lotação: 30 lugares por sessão. Reserva efetuada por ordem de inscrição e sujeita aos lugares disponíveis no auditório, pelo que a inscrição das turmas é obrigatória e deve ser feita atempadamente. O valor do bilhete para as crianças é de 1€ (um euro).

Contactos para inscrição: 926 276 267 ou quartaparedeartesperformativas@gmail.com

ESTREIA – Famílias > Costanza Givone

23.10.2021 I 14h30 e 17h30 (duas sessões) I Auditório do Teatro das Beiras

© Família Givone

Sinopse

Famílias debruça-se sobre a complexidade e riqueza dos sistemas familiares contemporâneos. Uma performer despe camadas de roupa à medida que revela fragmentos da história da sua família, cada roupa, uma personagem. Um espetáculo-oficina concebido por Costanza Givone, com materiais gráficos de Madalena Matoso, onde as memórias da performer se juntam às das crianças que participam, para construir uma árvore genealógica imaginaria.

Ficha Artística
Criação: Costanza Givone I Materiais gráficos: Madalena Matoso I Produção: Ana Carvalhosa e Cláudia Santos I Co-produção: CRL – Central Elétrica

Área artística: teatro
Tempo: 45min
Classificação etária: M/6

BILHETEIRA E RESERVAS

COVILHÃ > TEATRO DAS BEIRAS
Travessa da Trapa, 2, 6200-216 Covilhã
Horário de bilheteira
2ª feira a 6ª feira: 09h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00 I Dias de espetáculo, bilheteira aberta 1h00 antes de cada espetáculo

Reserva de bilhetes
Tel. 275 336 163 I geral@teatrodasbeiras.pt

Preços Bilhete
Bilhete geral: 6,00 €
Bilhete c/desconto: 3,00 € (<25 anos, >65 anos, estudantes, profissionais do espetáculo, trabalhadores ADC, sócios INATEL)
Bilhete Público escolar: 1,00 €

GRÃO – Estórias de Criação > Pé de Pano

Dia e local a confirmar

© Helder Milhano

Sinopse

GRÃO – Estórias de Criação é um espetáculo sobre o surgimento das coisas. Lado a lado aparece o surgimento do mundo, do homem, de uma planta, de uma ideia, da palavra, da pintura, da instalação e da performance. Em cena criam-se poemas visuais e performativos construídos numa tensão entre matérias concretas e abstratas, reais e ficcionais, físicas e imaginárias, no qual as palavras estabelecem caminhos paralelos indutores de aconchego e aproximação ou de rasgo e voo para outras dimensões de sentido.

Ficha Artística
Direção artística e interpretação: Maria Belo Costa I Assistência: Sílvia Pinto Ferreira I Composição Sonora: Defski I Desenho de luz: Bruno Santos I Vídeo: Raquel Fradique I Texto: Afonso Cruz I Consultoria artística: Vera Alvelos I Apoio ao Movimento: Peter Michael Dietz

Área artística: cruzamentos
Duração: 50min
Classificação etária: M/3





Festival Y#17 – António Jorge Gonçalves

21 09 2021

No dia 29.09.2021, o Festival Y#17-festival de artes performativas faz um enfoque especial sobre o trabalho do artista visual António Jorge Gonçalves através do lançamento do seu último livro, “Desenhar do Escuro”, em formato masterclass, e da apresentação do espetáculo “Desenhos Efémeros”, com a participação dos músicos Nuno Santos Dias e João Clemente, no Cine-Teatro Avenida em Castelo Branco.

Lançamento-Masterclass do livro “Desenhar do Escuro” > 29.09.2021 I 18h00

© António Jorge Gonçalves

O lançamento do livro “Desenhar do Escuro” de António Jorge Gonçalves será em formato masterclass, no Cine-Teatro Avenida/Castelo Branco, a participação é gratuita e sujeita a inscrição (lotação limitada)

O livro reproduz 82 dos cerca de 300 desenhos que António Jorge Gonçalves fez a lápis branco sobre cadernos pretos em 2020-2021, numa edição do autor com tiragem limitada, assinada e numerada.

Aplicando um processo de inversão – usado na xilogravura, por exemplo – no qual se desenha aquilo que está a branco em vez daquilo que está a preto, o artista registou paisagens urbanas, clausuras domésticas, deambulações pela natureza, uma seleção atenta de fragmentos da vida quotidiana. Na exploração desta linguagem gráfica que lhe é inédita, AJG acaba por perceber que aquelas páginas pretas são como salas às escuras que precisam do lápis branco para revelar o que lá está dentro.

A masterclass destina-se ao público em geral (com duração média de 1h30) desafiando perspetivas sobre o papel da luz na história das artes visuais – desenho, pintura, fotografia, cinema. Abordará também as motivações e técnicas particulares utilizadas na feitura dos desenhos do livro. Caso faça sentido para os participantes, poderá incluir um momento oficinal orientado, com elaboração de desenhos a branco sobre suporte preto.

Inscrição para participação: bilheteira.ctavenida@gmail.com

Espetáculo Desenhos Efémeros > 29.09.2021 I 21h30

© Paula Delecave

No espetáculo “Desenhos Efémeros” o artista António Jorge Gonçalves desenha ao vivo em diálogo com o espaço e com os estímulos sensoriais do momento dos músicos Nuno Santos Dias e João Clemente, com o auxílio de mesa, caneta digitalizadora e uma versão do software Photoshop configurada por si para uso performativo. Sem recurso a material pré-gravado, os desenhos privilegiam uma dinâmica analógica própria de um ato performativo. As imagens, em permanente metamorfose, habitam o espaço ora como suas personagens ora como cenografias mutantes.

Ficha Artística
Artes Visuais: António Jorge Gonçalves I Música: Nuno Santos Dias e João Clemente

Área artística: novos medias/artes visuais

Tempo: 50min

Local: Cine-Teatro Avenida/Castelo Branco

Classificação etária: M/6

BILHETEIRA

CASTELO BRANCO > Cine-Teatro Avenida
Avenida General Humberto Delgado, 6000-081 Castelo Branco

Horário de bilheteira
3ª feira a sábado: 14h00 às 19h00 | Dias de espetáculo: 1h00 antes do espetáculo

Reserva de bilhetes
Tel. 272 349 560 | bilheteira.ctavenida@gmail.com

Preços Bilhete
Espetáculo/Bilhete geral: 5,00 €





Espetáculo Pulsações – Projeto Veleda

20 08 2021

Apresentamos o espetáculo “Pulsações” no dia 18.07.2021 e no dia 01.08.2021, no Auditório do Teatro das Beiras/Covilhã e Auditório da Moagem – Cidade do Engenho e das Artes no Fundão, respetivamente.


PULSAÇÕES é um espetáculo de teatro documental com cocriação e interpretação de 10 mulheres participantes do projeto VELEDA – Mulheres e Monoparentalidade, um projeto artístico e social, promovido pela BEIRA SERRA – Associação de Desenvolvimento com a direção artística da Quarta Parede. Desenvolvido em parceria com os Municípios de Belmonte, Covilhã e Fundão, MDM – Movimento Democrático de Mulheres e UBI – Universidade da Beira Interior e com o apoio da iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social da Fundação Calouste Gulbenkian.

Créditos: Bruna Kievel
Créditos: Bruna Kievel
Créditos: Bruna Kievel
Créditos: Bruna Kievel